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MUDANÇAS X CORAGEM

como vencer em um mercado em permanente evolução?

TAGS: inovar, mudança, como mudar, empresa, aquisições, administração, crise, mercado de trabalho.

Encorage a inovação. Mudança é sangue vital; estagnação o som do sino funerário. - David Ogilvy.

“Não estamos mais numa época de mudança, mas, numa mudança de época.”


“Mirmidões, que nenhum homem se olvide do quão ferozes somos. Nós somos leões!”
(Aquiles, ao invadir Tróia).

Tempos de mudança; tempos selvagens.

Em geral, um bando de leões é formado por leoas. O Rei-leão, tal qual um xeique árabe, tem um harém privado de belas “gatas”. Uma vida paradisíaca, não fosse pelo fato de ele, vez ou outra, ser obrigado a atender ao desafio de outro leão-alfa adulto, algo que pode afastá-lo de sua pequena ditadura tropical, quando não, matá-lo de vez. Ruim para o manda-chuva, pior para os leõezinhos que, se normalmente são “convidados a se retirar” do bando assim que desmamam (mais ou menos aos 2 anos de idade), por ocasião da vitória de um leão de estrangeiro, tem o apertado prazo de trinta dias para se colocarem a caminho da roça. Não obedecendo, ele e todos os filhotes machos, que porventura ainda estiverem no bando, são impiedosamente executados. Algo chocante, mas, biologicamente lógico, pois todo filhote amamentando significa uma leoa infértil, o que contraria dramaticamente o “instinto natural” do leão vitorioso de transmitir seus genes ao novo bando. Portanto, o sábio (e agressivo) leão espalhará mais genes, mais depressa. Analogamente, o mesmo acontece em muitas empresas, em operações de aquisição.

O que fazer em épocas de mudança?

Kevin Kelly, fundador da Revista Wired Kevin Kelly, fundador da Revista Wired.

O processo é simples: o novo executivo analisa a empresa comprada, seu portfólio de produtos, serviços e equipe. Naturalmente, é muito fácil para ele pôr defeito em tudo que vê, pois nada ali foi escolha dele, nada ali traz seu gene (e ele não vê a hora de mudar isso). A enfrentar esse clima difícil, alguns diretores preferem dar o fora, antes que seu destino seja igual ao de outros funcionários que são “estrategicamente eliminados”. Mas, na maioria das vezes, a mudança não é esperada: “dois terços dos executivos que perderam o emprego [em 2006] não esperavam a demissão”, diz a Revista Época Negócios (agosto de 2007). “Não estamos mais numa época de mudança, mas, numa mudança de época”, diz Kevin Kelly, fundador da Revista Wired. Em um ambiente desse tipo (e acredite, vivi isso toda minha carreira profissional, na Rede Globo, H.Stern, Gelre), o mais seguro não é ter o comportamento de um rato, mas, de um leão. Ora, uma empresa adquire outra por vários motivos, mas, especialmente para aprender com ela, ou seja, com as pessoas que trabalham ali. Por isso, em vez de medo, devemos demonstrar coragem e enfrentar o leão. Seth Godin diz em seu livro “Sobreviver não é o bastante – Como vencer em um mercado em permanente evolução”: “Lembrar-se de que a razão pela qual você [o executivo] fez a aquisição era adquirir mDNA [idéias, novidades, metodologias etc.] pode ajudar sua equipe administrativa a hesitar antes de sair do caminho eliminando a própria coisa que você acabou de comprar.”

Nota 1: Essa miopia administrativa é explicada pelo professor de marketing indiano, Jagdish N. Sheth, em seu livro “The Self-Destructive Habits of Good Companies... And How to Break Them” (“Os hábitos autodestrutivos de boas empresas... e como quebrá-los”). Ele afirma que empresas lucrativas vão pro beleléu exatamente porque adquirem maus hábitos, tais como, falta de senso de realidade, orgulho, complacência, entre outras.

Nota 2: A Kodak é um bom exemplo: ela se tornou tão importante em químicos fotográficos que simplesmente não “acreditou” que o digital fosse substituir tudo que criara com tanto esforço até então. Bem, agora você consegue se colocar no lugar de um executivo da Kodak na situação que citamos acima.

Nota 3: Há sempre o risco de você ser mandado embora ao defender o que pensa, o que pode não ser necessariamente mau. Se você tem a ambição de um dia tornar-se dono do seu próprio nariz (sendo um free-lancer, autônomo, profissional liberal ou dono de empresa), é bom acostumar-se com a idéia de “peitar” suas próprias idéias. Ter coragem para empreender é uma das qualidades indispensáveis em qualquer bom empreendedor.




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