Pensar fora da caixa não é nem de perto mais efetivo que criar uma caixa maior.- Seth Godin.
David Ogilvy, autor de "Confissões de um Publicitário".
No início da minha carreira na TV, com meus 19 anos, li um livro chamado “Confissões de um Publicitário”, do famoso publicitário americano David Ogilvy, fundador da agência Ogilvy & Mather. Suas “confissões” me ajudaram a construir a imagem do bom profissional de marketing. Uma das frases mais marcantes foi que um verdadeiro publicitário, antes de aceitar trabalhar para um cliente, questionava-se: “eu ou minha família adquiriríamos esse produto?” Não preciso nem dizer o quão frustante foram os anos seguintes, ao conhecer de perto o dia-a-dia de uma agência de propaganda e suas “estratégias de convencimento.”
Marketing é o mercado e o profissional de marketing é o mercador. Pode-se afirmar com toda propriedade que os atuais marqueteiros são bastante análogos a feirantes gritando em uma feira-livre. Por acaso compramos na barraquinha de quem grita mais? Sob os agouros de virarem peças de museu, agências de propaganda do mundo inteiro, esforçam-se em aplicar uma nova roupagem às práticas de propaganda e marketing que sempre deram certo. Acham que, em tempos de Internet, basta mudar a mídia e adaptar o discurso. De fato, na Web lançam mão de técnicas populares de estimular comportamento viral mirando em blogs influentes. Segundo o estudo da JupiterResearch, apenas 15% das campanhas virais de Internet nos EUA resultaram em retorno e 55% dos marqueteiros americanos planejam continuar com essas campanhas para o ano que vem. Difícil de entender o porquê? Claro que não. O elemento básico para que ocorra o boca-a-boca digital é: o assunto deve valer a pena. Ninguém vai falar do novo lançamento da sua empresa só porque você pagou uma grana pro Edney falar bem dele. O máximo que as pessoas farão é confiar no moço e dar um click no seu link. Para que uma idéia se espalhe como vírus, ela precisa ser muito boa. E se tem uma coisa que a humanidade aprendeu é que não vale à pena vestir a camisa da empresa. (pelo menos, não de graça).
Nota 1: Alguns casos ficaram notórios de empresas que fizeram marketing viral enganando as pessoas, fazendo-as acreditar em algo que não era absolutamente verdade. Um desses casos foi elencado pela Sony que contratou a empresa Zipatoni para movimentar o mercado de video games. A Zipatoni, especializada em marketing viral, desenvolveu um blog falso com o nome de alliwantforxmasisapsp.com (tudo que eu mais quero de natal). Os escritores do falso blog, ou flog (“fake blog”), como ficou conhecido, rasgavam elogios ao novo console da Sony o PSP. Os “gamers”, que amam jogar mas odeiam ser joguetes, estranharam e pesquisaram no WHOIS e descobriram que o site estava, na verdade, registrado em nome da Zipatoni e que o blog só podia ser mesmo uma farsa.
Nota 2: Não há nada de errado em um blog fazer propaganda para uma empresa, produto ou serviço, no entanto que as pessoas saibam abertamente disso. Por outro lado, criar algo com fachada de autêntico e ser na verdade uma farsa, deixa as pessoas realmente aborrecidas.