Meu principal hobby é provocar as pessoas que levam a si mesmas e a seu conhecimento muito a sério.- Nicholas Taleb.
Nicholas Taleb, autor de "O Cisne Negro".
Quem já não perdeu todo trabalho de um dia por causa de uma queda de energia ou um HD que pifou do nada? Sorte ou azar, o fato é que a imprevisibilidade domina nossas vidas para o mal e para o bem (talvez seja a hipocrisia que nos impeça de entender isso de forma mais racional). Para nosso alívio, foi lançado nos EUA “The Black Swan: the Impact of the High Improbable - Cisne Negro: o Impacto do Altamente Improvável”, de Nassim Nicholas Taleb, libanês, professor de Administração da University of Massachusetts e presidente da Empirica, uma empresa de investimento privado em Nova Iorque. O nome do livro vem de um fato curioso: assim como você (pode confessar!), eu jamais pensei que houvesse cisnes de outra cor, senão brancos. Segundo reportagem da Revista Negócios n°5, até 1697, quando descobriu-se um cisne negro na Austrália, a Europa também pensava assim. De fato, vivemos a era dos gurus e das fórmulas prontas para o sucesso e todos buscamos ser guiados por algo que nos conduza a um futuro promissor. Empresários e economistas geralmente acreditam em controle e previsibilidade, mas, vira e mexe, são pegos com as calças nas mãos. Não conseguem explicar (que dirá reproduzir?!) o sucesso de empresas como o Google ou o fracasso de empresas como Agfa, Kodak ou Fuji. “Não é estranho que um evento ocorra justamente porque ele não deveria acontecer?”, diz o autor.
Certa vez, atendi a uma palestra em que o orador fez uma interessante experiência para demonstrar uma característica do comportamento humano. Trazia consigo uma enorme cartolina e, ao abri-la, pediu que descrevessem o que tinha em mãos. Ao que alguém da assistência disse: “um ponto preto no centro de uma cartolina branca!” O palestrante então perguntou: “mesmo o branco representando 99,9% da área dessa folha, por que esse minúsculo ponto preto, que representa apenas 0,1%, foi descrito em primeiro lugar?” Taleb diz: “Nossa tendência mental não é a de aprender regras, mas fatos e dados isolados. Olhamos para centavos e não para dólares. O quadro geral pode apontar distintamente para uma crise, mas, preferimos nos fixar nas particularidades da microconjuntura.” Taleb vaticina: “O futuro será cada vez menos previsível, apesar do nosso progresso e conhecimento” e nos instrui a lutar contra a padronização do pensamento. A reportagem da Revista Exame n°900 diz que o autor “prega que é fundamental manter o hábito de questionar estruturas de pensamento e atitudes, mesmo que isso exija ações não-ortodoxas (como deixar de assistir TV) ou a busca de conhecimento em áreas de arte, literatura, filosofia e psicologia.” Isso explica por que algumas poucas pessoas, trabalhando em rede, com pensamento atípico têm mudado tanto o mundo ultimamente.
Nota 1: Falando sobre ganhos de capital, o professor Taleb explica que “no mercado de ações, dez dias representaram 63% dos retornos dos últimos 50 anos!” e arremata: “Quanto mais inesperado é o sucesso de um empreendimento, menor o número de competidores, e mais bem-sucedido o empreendedor.”
Nota 2: Terão o herói Aquiles e seu bendito calcanhar sido derrotados por um cisne preto?