Ar que pode ser visto não é bom de ser respirado!- Bill Hammons.
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Não fui criado com o objetivo de ser um empreendedor, tampouco um empresário. Entretanto, cresci com o germe do inconformismo e fui ensinado a me expressar abertamente, a não aceitar injustiças, a buscar a verdade sobre tudo. Posso dizer que caminho para me tornar um empreendedor, tive muitas surpresas. E, se me der a gentileza de alguns instantes de sua atenção, gostaria de falar sobre minha última.
Poster do documentário "Uma Verdade Inconveniente", de Al Gore.
Todos temos acompanhado com muita comoção as notícias sobre a destruição do meio ambiente e suas trágicas conseqüências para o planeta. Maremotos, inundações, terremotos, degelo das calotas polares, mudanças climáticas repentinas, sem falar dos problemas respiratórios devidos ao ar poluído das cidades, piorados também pelo efeito estufa. Detesto dizer isso, mas, foi Al Gore, ex-dirigente e empresário americano (fortuna avaliada em US$100 milhões), aquele mesmo que deixou o Bush levar de bandeja as eleições dos EUA de 2000, quem me demonstrou por A+B que o planeta está morrendo ("An Incovenient Truth" - "Uma Verdade Inconveniente", lançado há algum tempo em DVD).
Poster do documentário "Quem Matou o Carro Elétrico?"
Principal apontado como causador da poluição que está destruindo o planeta, o automóvel, segundo estima-se, terá mundialmente seu número duplicado nos próximos 10 anos, atingindo uma frota de mais de 1,2 bilhão de carros, o que tornaria o ar irrespirável. "Daqui a cinco anos, segundo projeções de urbanistas sérios, haverá o engarrafamento do Juízo Final: 500 km, ou seja, mais do que a distância do Rio para São Paulo" - Paulo Henrique Amorim em “Máximas e Mínimas 749” do Blog Conversa Afiada. Bem, embora isso seja alarmante para mim, não é nenhuma novidade, para os governos e empresas, que, deveriam, pensava eu, estar em busca de soluções para o problema.
EV-1, misteriosamente recolhidos dos donos e destruídos pela GM.
No início do ano, um veículo elétrico (desenvolvido pela brasileira Itaipu Binacional, a Fiat e a suíça KWO) foi sensação da mais importante feira de agronegócios do sul do Brasil, justamente pelo fato das baterias do veículo serem carregadas com energia proveniente de resíduos animais e vegetais que, processados em pequenas usinas térmicas como biogás, serve para gerar eletricidade. “Estávamos no caminho”, pensei eu. Pois qual não foi a minha surpresa ao assistir o documentário "Quem Matou o Carro Elétrico?" (site do filme). Com a participação de Mel Gibson e Tom Hanks, o filme é um protesto / denuncia sobre o EV-1, primeiro carro elétrico produzido em série no mundo, vendido como leasing pela GM em 1996 e, misteriosamente, recolhido em 2003, a despeito do enorme sucesso que fez. De fato, os carros foram recolhidos pela GM, contra a vontade dos donos, e destruídos em lugares desertos. Fiquei pasmo, afinal, que mais uma fábrica de carros desejaria, se não ter um carro que fosse a resposta à altura do anseio de toda a humanidade? A resposta me veio como um soco no estômago.
Renault Z17, um belo projeto de carro elétrico dos franceses.
Petróleo sempre foi um assunto presente em minha vida. Meu pai, Dom Madureira, dedicou-se à indústria petroquímica, na Shell e Petrobrás, trabalhando em refinarias de petróleo e plataformas em alto-mar. Lembro-me que, há alguns anos, quase o perdi por um incêndio que destruiu duas plataformas da Petróbras. Na ocasião, meu pai foi o herói oculto, tendo salvado centenas de vidas... Bem, uma das coisas que aprendi como empresário é: um mais um nem sempre são dois. Portanto, a seguinte conclusão me veio: uma empresa que inventasse um automóvel que não utilizasse mais que eletricidade, estaria ao mesmo tempo, jogando ao ralo o petróleo, uma das principais fontes de renda para a gigantesca indústria petrolífera, na forma de combustíveis e aditivos, e governos de todo o mundo, na forma de impostos e royalties. Sempre ouvi dizer que um dia o petróleo acabaria e que isso seria a grande crise energética do planeta. Mas, nunca ouvi falar que veículos elétricos existiam desde 1869! Sempre ouvi dizer que os carros elétricos não eram ainda viáveis porque as baterias não eram capazes de armazenar energia suficiente, porque demoravam para carregar, porque a eletricidade era muito cara, porque a tecnologia não permitia.
Qual não foi a minha surpresa o verificar que isso era tudo mentira?! Que o carro elétrico faz de zero a 100 em 3 segundos (melhor que uma Ferrari!), que as baterias podem ter autonomia de mais de 150 Km por carga, que uma empresa na França anunciou um motor que faz 100 quilômetros gastando 3 euros, que já existem dínamos auto-geradores de energia elétrica (sem necessidade de baterias ou espelhos solares), que vários carros estão hoje mesmo sendo convertidos para elétricos, que empresas pequenas estão construindo veículos próprios movidos à eletricidade, e que muitos mecânicos e engenheiros americanos estão ensinando praticamente de graça como converter carros para eletricidade pela Internet. E, para fechar com chave de ouro, descobri que alguns estados brasileiros, como o Piauí, dão isenção de pagamento de IPVA para veículos elétricos, enquanto o governo de São Paulo, o estado mais poluidor, oferece um desconto de apenas 25% (até o Capitão Nascimento no Rio dá desconto de 75%)...
Alguma dúvida de por quê tem-se dado tanto destaque na mídia para o hidrogênio-combustível? Todos (indústria e governo) querem um substituto à altura do grande negócio do petróleo e não uma forma simples ou barata para resolver o problema da poluição. Desta forma, como o hidrogênio é uma tecnologia repleta de problemas ainda insolúveis, terão tempo suficiente para queimar todo combustível fóssil que houver! E transformar o mundo em uma sauna cinza-chumbo.
Papai Noel, não se esqueça do meu Roadster Tesla.
Bem, não sou engenheiro nem mecânico, mas, sei fazer sites bem colocados no Google e posso escrever às pessoas que visitam a Atípico. De forma que aqui vai um roteiro conciso sobre a verdade a respeito do carro elétrico. Assista quando tiver tempo e faça a sua parte contando a quem importa.